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4 de ago. de 2011

Confraria do Blues Band, 'Tributo 100 Anos Robert Johnson" - Live Sport Pub - Porto Alegre/RS, Brasil - 01/07/2011

Prestigiando o "Tributo 100 Anos Robert Johnson", gravado em 01/07/2011, no Live Sport Pub, Porto Alegre/RS - Brasil, com a "Confraria do Blues Band" formada por Rafael Salib, guitarra, Tiago D'andrea, teclados, Marcelo Pimentel, baixo, João Gabriel, bateria e Zé Carlos Andrade, guitarra; participação de Coié Lacerda, Solon Fishbone, Cristiano Ferreira, Oly Jr. e Marina Garcia. Filmagem e Edição: Márcio "Bex" F. Feil.
Confraria do Blues:


Confraria do Blues & Oly Jr:


Confraria do Blues & Marina Garcia:


Confraria do Blues & Cristiano Ferreira:


Confraria do Blues & Solon Fishbone:


Confraria do Blues, Coié Lacerda & Zé Carlos Andrade:



O Zé Carlos também registrou este grande momento, além de outras performances da "Confraria do Blues", e disponibilizou no seu canal no youtube: http://www.youtube.com/user/zecarlosdeandrade#p/u

12 de jul. de 2011

Céu Adentro!: O Blues e a história – Parte II - Robert Johnson

LINK: Do blog Céu Aberto, por Elias Taveira de Freitas


Na década de 30 o blues já tinha certa fama no interior dos Estados Unidos, sobretudo nas regiões onde a classe trabalhadora era mais difundida. Foi justamente nesta época que surgiu um dos nomes mais influentes e idolatrados da história do blues, o grande mestre Robert Johnson. 

Nascido em 1911, negro e descendente de escravos, o pequeno Robert foi criado em uma fazenda de algodão. Assim, trabalhando no campo desde criança, teve pouca instrução, aprendendo a tocar seu primeiro instrumento, a gaita, sozinho. Quando começou a entrar na maioridade, fugiu de casa para aprender a tocar violão com outro bluseiro de primeira, Son House 

Logo passou a tocar junto com os músicos que mais o influenciaram, Charlie Patton e Willie Brown, além do próprio Son House. Juntos, perpetuavam o que se costuma chamar de country blues; o blues rural ou delta blues, pois vinham da região do delta do Mississippi. 

Com vinte anos, Johnson descobriu como fazer sua guitarra chorar usando o gargalo de uma garrafa quebrada, deslizando-a pelas cordas. Já se apresentando sozinho, foi o autor de uma série de composições que retratariam diversas amarguras da vida, desde a rejeição carnal até o desconforto espiritual.  

Suas letras falam de amores violentos, como em "Ramblin' On My Mind" e amores perdidos como em "Love In Vain". Com um certo senso de sutileza, ele fala sobre sexo em letras como a de "Traveling Blues", onde utiliza analogias do tipo "Squeeze my lemon till my juice runs down my leg" ("Espreme meu limão até o suco escorrer pelas minhas pernas") frase hoje mais lembrada na voz de Robert Plant quando este pertencia ao Led Zeppelin. Johnson também falava de perseguição e desespero em canções como "Me And The Devil" e "Hellbound Trail". Essas letras ajudaram amarrar a lenda de um pacto entre o diabo e o bluesman, lembrado até hoje. 

A LENDA - Conta-se que Robert Johnson caminhou até uma encruzilhada em uma noite de lua nova e lá ficou parado, com um cigarro de palha na boca e seu violão na mão. Reza a lenda que quando deu meia noite, o próprio diabo em forma de homem apareceu para afinar o instrumento. Robert então teria feito um pacto com o tinhoso para que ele o tornasse o maior bluesman que já havia caminhado pela terra.  

A partir daí, todos que ouvem suas músicas são encantados por ela. Na verdade Robert Johnson tocava um violão excelente e é mais provável ser a inveja, a origem das lendas que apareceram.  

Johnson costumava tocar quase que de costas para o seu público. As pessoas então diziam que ele fazia isto para esconder o olhar do diabo que surgia para auxiliá-lo. Mais coerente seria supor que ele se preocupava em esconder os acordes que bolava sozinho e não queria que outros músicos na platéia o copiassem. 

Por volta de 1935, ele perambulava entre as cidades dos estados de Tennessee a Arkansas. Fez uma série de gravações em 1936, que circularam pelo sul e eventualmente chegariam a ser ouvidos pelo norte do país. As canções acabariam editadas em dois álbuns, anos depois de o artista falecer. Em 1937, tocaria com ele em ocasiões esporádicas Alex Miller (Sonny Boy Williamson, o segundo), assim como Elmore James e Howlin' Wolf, mas em geral Johnson se apresentava sozinho.  

Morreu, acredita-se, no dia 16 de agosto de 1938. Como toda boa lenda, existem diversos rumores para explicar sua morte, mas em geral inclina-se a acreditar que um marido ciumento colocou veneno em sua garrafa de bebida. Johnson era famoso pela atração que causava nas mulheres, como também por atrair as chamadas "mulheres erradas". Ele veio a morrer três dias depois de envenenado, sofrendo dores estomacais horríveis durante esse tempo. Isto explicaria em parte as histórias que contam dele antes de morrer, andando de quatro e uivando como um cachorro, animal muitas vezes associado com o demônio.

13 de mai. de 2011

Sou um tarado pela Black Music


Tudo começou com o Blues

Então, vou começar pela minha tara pela Black Music. Isso mesmo Black Music, ou você não sabe que a melhor coisa que inventaram, depois do sexo, foi à música negra. Deixa-me falar um pouco sobre isso.

Tudo começou com o Blues, há um bom tempo atrás, na época da escravidão negra, nos Estados Unidos, país esse que já libertou seus escravos, mas ainda mantém alguns focos de racismo, classismo, meio maquiados, mas tem. Qualquer semelhança com nosso Brasil é mera coincidência.

Nas longas plantações de algodão ao sul do Mississipi, escravos negros, não tinham o direito nem de conversar com o seus, quanto mais com seus donos (patrões) enquanto trabalhavam. Então, a maneira mais sorrateira de se comunicar entre eles foi à criação de uma espécie de dialeto próprio. Uma forma de falar reivindicar e se “lamentar” cantando. Daí nasceu o Blues. Juntamente com o Gospel, música de louvor cantada por fiéis da igreja negra americana, um dos estilos de música mais rico e forte que se canta e se encontra, muitas vezes, imperceptível até em repentistas do norte e nordeste de nosso país.

Em meados de 1900, os negros americanos, por serem discriminados por sua raça e posição social, se reuniam em guetos para conseguir um pouco de paz, menos sofrimento e mais divertimento. Nesses guetos, popularmente chamado por “jucks”, inventaram com um gargalo quebrado de garrafão de uísque de fundo de quintal o famoso “slide”, que mais tarde virou um tubinho de vidro ou metal que desliza sobre o braço do violão ou guitarra, causando um som de guitarra havaiana, usados muito por deuses negros e brancos de alma black, até nos dias de hoje.

Os negros que revolucionaram a música ianque: Robert Johnson, na década de trinta, Muddy Waters, passando por Jimmy Hendrix e outras verdadeiras lendas do Blues. Os branquelos: John Hamonnd, em minha opinião, um dos mais autênticos e talentosos brancos que já ouvi tocar, Alvin Lee, Rory Galleiger, George Thourogood, Jimmy Page e Eric Clapton. O garrafão também era usado pra fazer um som. Sopravam em sua superfície tirando um som semelhante ao de uma tuba, que servia de acompanhamento musical nesses encontros.

O Blues é um dos estilos musicais mais antigos da música americana. Nada igual foi criado ou superado até o momento.

A harmônica de boca, ou a gaita de boca, a famosa vinte vozes, serviu e serve de inspiração até hoje pra quem curte fazer o bom e velho Blues. Esse instrumento de sopro foi inserido no blues a partir de sua semelhança com o som do andar do trem. Uma maneira de reproduzir a melancolia de uma partida da pessoa amada, dentro de um vagão ou até mesmo junto aos animais viajando na clandestinidade.

Temos o piano como grande expoente do Blues. Instrumento que foi mais utilizado e apreciado na fase do blues elétrico de Chicago. Onde negros puderam mostrar seu sofrido talento em casas noturnas, onde brancos freqüentavam, dançavam e começavam a apreciar a música de negros escravos.

Leia a parte [ 3 ]

6 de mai. de 2011

A voz no Blues é tão importante quanto sua própria história

Dizem que o Bues não só simplesmente se canta ou toca. É preciso senti-lo. É preciso chegar em casa e não encontrar mais sua esposa. Receber uma ordem de despejo, ser despedido. Dessa melancolia, desse cenário bucólico vem o Blues. Mas nem só de tristeza vive o Blues. Ele trás boas notícias em suas letras também.

E a voz. Ah, sim a voz. A importância da voz no Blues surgiu nos corais da igreja norte-americana. Nos cultos de domingo, as famílias negras se reuniam em torno do altar e cantavam estrofes de fé e sofrimento. Daí surgiu à frase de que Blues não se canta somente com a voz e sim com a alma.

Na voz negra do blues, destaque para Howlin' Wolf (juntamente com Robert Johnson), traduziam a voz do demônio, John Lee Hoocker, Elmore James, Mudy Waters, Ray Charles, Willie Dixon, Etta James, Janis Joplin (das brancas a melhor), Robert Plant e Joe Cocker.