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9 de nov. de 2011

Domingo Legal

Hoje é domingo. Acordei às 6. Às 6 pro meio-dia. Mas acordei de um modo diferente, ou melhor, o Luan Santana me acordou com seu “Meteoro da Paixão”. Isso mesmo: meteoro da paixão na TV brasileira. Num programa de auditório onde todo mundo grita, aplaude e se diverte com um “besteirol” dominical.

É incrível: como no domingo só passa merda na TV aberta! Programas de auditório. Existe coisa mais brega e ultrapassada do que ficar em frente à televisão vendo e ouvindo risadas de computador, coisas totalmente inúteis ao ser humano?

Que perda de tempo, hein? Tempo esse que parece infinito, mas pode acabar a qualquer momento, inclusive agora.

Porque a TV não passa programas educativos e mais produtivos do tipo: veja o que os políticos brasileiros fazem com o seu voto e seu dinheiro?

Há pouco tempo, a RBS TV teve de retirar a matéria, através de processo judicial, que mostrava a farra dos políticos com verba pública que, teoricamente, serviria para fazer “cursos” de aperfeiçoamento pra melhor administrar nossa sociedade.

Porque a TV não mostra, no domingo, o que os políticos fizeram com o “cheque em branco” que você lhes forneceu?

A sociedade brasileira vive um domingo de deslumbre social. Tá bom. Tendo Luan Santana e o Meteoro da Paixão pra gente digerir, tá bom demais.

Pessoas fazendo “micagem” na TV, números do tipo: o homem que solta água pelos olhos e por aí vai. Será que a política da TV brasileira é do tipo “quanto mais idiota melhor”?

Ninguém quer mais “pensar”?

Isso me lembra uma frase da música do Barão Vermelho: ‘pense e dance, pense e dance'.
Feliz é aquele que tem TV a cabo e usa com melhor aproveitamento. Melhor ainda é aproveitar o domingo e sair de casa com seus filhos e amigos. Passear no parque, ir ao futebol, assistir a shows de rock ao ar livre, cinema, almoçar com a família ou até mesma dar “uma” com a parceira, porra! Mas não ligue a TV pra ver um Domingo Legal!
Faça o possível para ter um Domingo Legal.

19 de mai. de 2011

Música na minha vida

Há muito tempo venho tentando me achar no meu mundo. Um mundo feito de pensamentos, emoções e música. Talvez seja essa a única e a melhor forma de expressar o meu encanto pela vida, pela música. Desde pequeno venho sonhando com instrumentos musicais, melodias vindas não sei de onde. Minha vida louca sempre teve uma trilha sonora e essa trilha é o Rock’n Roll.

Criei-me ouvindo Beatles e Rolling Stones. Não podia ser outro o meu estilo preferido de compor, tocar e gravar. Mas não é só Rock que respiro. Surfo pelas ondas do Blues, MPB, Reggae, Samba, enfim a preciosa e valorosa Black Music.

Hoje componho jingles e minha própria música em parceria ou não.
Toco alguns instrumentos como bateria, teclado e harmônica de boca. Tenho passagens históricas por bandas gaúchas tais como: Mikki Maus e Curare (as duas de punk rock), Lorenzo e La Nota Falsa, Lotação Esgotada, La Fauna e Dados de Cristal (nessas duas últimas ainda toco), juntamente com a Massa Cinzenta em que canto também.

Sou publicitário e músico profissional. Tenho 45 anos, desses 20, trabalho e me deleito com música.

Espaço democrático

Um dos propósitos desse blog é usar essa mídia tão abrangente para expor nosso pensamento em relação à música e seus derivados. Sim, seus derivados como teatro, dança arte, esporte, entretenimento e principalmente, o “pensamento”.

Vou apoiar divulgar e debater toda a forma de arte. Se você tem uma banda e quer divulgar seu trabalho, se tem uma peça em cartaz, manda pra cá, que nós divulgamos. Trabalhos, exposições de fotografia e as próprias fotografias, manda pra cá.
(atualização de 13.05.2001, com uma baita colaboração do parceiro Gilson Ronaldo da Rosa)


Leia a parte [ 2 ]

Apego ou Apelo - parte 2

Hoje em dia, o mundo e as pessoas giram em torno do “ter” e não do “ser”.
Bulling, por exemplo: nem na escola, um lugar onde deveríamos aprender e nos educar, estamos livres de nosso próprio apego e ignorância. Ora, onde já se viu crianças e adolescentes serem julgados e condenados pelos seus próprios colegas por serem gordinhos ou negros, ter um cabelo inadequado para os padrões estipulados pela mídia ou por ter um tênis que não está na moda?
Os padrões, os padrões e os padrões. Quem estipulou os padrões? Pra que servem? No mundo inteiro não deveriam existir padrões pra quase nada.
O que me traz a escrever e difundir este assunto é, mais uma vez, o apego que o ser humano vem criando pra si e em sua volta. As pessoas estão preocupadas em “ter” e não “ser”.
Crianças e adolescentes mandando e desmandando em seus pais, avós e parentes. Ditando normas e regras de comportamento, quando quem tinha ou poderia fazer isso seriam seus pais e os mais velhos. A falta de educação, desde bebê, faz com que os pais sejam criados por seus filhos, adequando-se à nova geração do “ter”.
Onde está a poesia da vida? Onde está o amor nesta vida? Onde está o respeito pelas pessoas e a vida?
A arte, por mais precária que seja, passa batida na geração "ter". A moda não. A educação, o respeito e a gentileza passam. A tecnologia não. O materialismo rima com capitalismo e capitalismo com consumismo.
Nesta vida estamos só de passagem. Nosso corpo, que tanto admiramos, é só uma roupa, um uniforme que nos foi fornecido para realizarmos atos “sadios” de “evolução”.

Não importa o cabelo, cor, raça ou vestimenta da moda. Temos que valorizar a vida e as pessoas como elas são.
Amanhã, quando acordar, primeiro agradeça por estar vivo e com saúde. Depois, olhe em sua volta e repare, em seus filhos, a pureza que ainda lhes resta. Se você não tiver filhos, abrace seus pais e agradeça por tê-los com você a seu lado. Se não tiver filhos, nem pais, como é meu caso, agradeça por estar com saúde, inteligência e o principal, por estar vivo!
Encerro esse meu pensamento com uma frase, se não me engano, da extinta Banda Fellini: “Não é um milagre estarmos vivos? Não é um milagre”? 
Logo, a parte [ 3 ]...

18 de mai. de 2011

Apego ou Apelo

(uma crônica autobiográfica)

Quando pequeno, ainda lembro, quando brincava com "meus" súper heróis da Marvel - que não eram meus e sim de um amigaço de infância, meu vizinho mais próximo. Ele tinha os bonecos de plástico, quase todos da série, mas com um detalhe: estavam quase todos estragados. Um faltando uma perna, outro sem um braço e, um deles, o que é pior: não tinha a sua arma, o seu súper poder. Brincávamos sem parar. Às vezes na casa dele, às vezes na minha.Eu carregava certa frustração por não possuir nenhum desses brinquedos, mas me satisfazia plenamente com aqueles bonecos mutilados.
A minha ficha caiu há pouco tempo: depois de 40 anos eu me dei conta dos valores que foram dados para cada situação ou sentimento da minha vida.
Numa certa rara manhã, meu pai passou pelo pátio de casa e me viu brincando com aqueles bonequinhos quebrados com os quais, feliz da vida, eu me distraia. Perguntou se aqueles bonecos eram meus e se eu não ficava aborrecido de brincar com eles naquele estado.
Primeiro fiquei espantado de ver meu pai se interessando por mim e meus brinquedos e, segundo: aonde ele queria chegar com essas perguntas?
Bem eu respondi que nenhum daqueles bonecos era meu e que não me importava de eles estarem quebrados. Meu pai imediatamente perguntou se não era melhor trocar todos aqueles bonecos com defeito por “um” novo em folha. Eu lhe disse que poderia aceitar um novo, mas também gostaria de continuar brincando com os velhos e emprestados bonecos.
Ele disse: "Vamos agora mesmo comprar um novo súper herói! E eu gritei: "Só se for agora!"
Fomos nas Americanas, que naquele tempo não tinha nem escada rolante. Chegamos à seção de brinquedos e logo localizei os súper bonecos. Meu pai perguntou qual deles era o mais legal pra mim. Eu fiquei em dúvida, pois havia todos os súper heróis da série nas prateleiras; ele apontava, sugerindo: "Esse aqui, tá bom?", "Que tal esse outro..?", " E este daqui então?"... Eu dizia: "Calma pai, não era só um, conforme me disseste lá em casa?" Ele: "Um só é pouco. Vamos levar todos da série. Todos novos e sem nenhum defeito... fiquei chocado de te ver brincando com aqueles bonecos mutilados e resolvi renovar seus brinquedos".
Naquela época, minha cabecinha de cinco anos deu um nó, e hoje, na minha de 46, esse nó começou a se desfazer. Percebi que minha escala de valores e apegos teria que ser renovada, ou melhor, reciclada.
Ao mesmo tempo em que ficava feliz por possuir, não simplesmente um boneco só meu mas, todos da série - e novinhos! -, eu ficava um pouco triste por ter de descartar e devolver todos aqueles bonecos estragados.
Eu tinha simplesmente ignorado a famosa tabela de valores e apegos pessoais. Simplesmente usei e usufruí a lei natural da natureza. Isso mesmo, a lei “natural” da “natureza”, que temos de sobra dentro de nós. Pena que não ousamos ou usamos muito pouco dela.
Meu pai, com um gesto de pura emoção, comovido, talvez tenha se visto na minha situação e remeteu a sua infância.
Valeu, pai! Um simples gesto de atenção, como comprar brinquedos para um de seus quatro filhos, trouxe hoje, para mim, uma enorme contribuição para a evolução de minha escala de apegos e de minha alma.
Leia a parte [ 2 ]